quinta-feira, 10 de agosto de 2017

DUAS FÁBULAS E UMA VERDADE

Mais uma vez meu grande mestre colabora com este blog. Muita honra para o Maria da Saudade contar com sua sabedoria e compartilhar. 

Duas Fábulas e Uma Verdade

Tancredo Almada Cruz
                                        <
tancredo@ufv.br>

        Conta uma fábula bem conhecida que um rei, extremamente vaidoso, ordenou ao seu costureiro que lhe fizesse a vestimenta mais bela que pudesse existir. Após várias tentativas para atender ao pedido de Sua Majestade, sem obter sucesso, o costureiro decidiu iludi-lo, dizendo ter feito a veste mais bela jamais vista. Fingiu vestir o monarca com uma roupa mágica, que só poderia ser vista por pessoas justas e leais ao reino. Em seguida, levou-o até a sala do trono onde a roupa invisível do rei foi elogiada por toda a corte, composta por bajuladores. A alegria do monarca foi tão grande, que decidiu sair às ruas para que fosse admirado pelos seus súditos.  Ao desfilar diante do povo, uma criança, com a pureza peculiar a todas as crianças, gritou: O REI ESTÁ NU! E a farsa se desfez...
Algo semelhante ocorreu no Brasil. O grupo que depôs a Presidente Dilma, acusada de conduzir um governo perdulário e corrupto, iludiu a população prometendo superar a crise com um governo austero e probo. Rapidamente, a farsa foi desfeita. As estatísticas oficiais demonstraram a queda do emprego, o aumento do deficit  público, a redução dos programas sociais, o aumento da miséria, além de outros  números  indicando  o  aprofundamento  da crise. Em paralelo, as investigações demonstraram que os corruptos, infiltrados no governo anterior, assumiram postos  de  comando  no novo governo e continuaram roubando com maior avidez.
    Enfim, o  IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e  Estatística e  a PGR – Procuradoria Geral da República gritaram: o rei está nu!
    Outra fábula, essa pouco conhecida,  conta  que  um  passarinho bateu à porta do céu, insistindo para falar com  Deus.  São  Pedro, irritado com aquilo,  indagou: O  que  você  quer aqui?
        - Quero pedir ao Senhor que faça o boi voar.
        - Boi voar? Para que? Perguntou o santo.
    - Para que ninguém se importe com as minhas cagadinhas.
    Na última quarta-feira, em triste espetáculo, a Câmara  Federal impediu que o presidente Temer fosse julgado por crime de corrupção passiva, pelo Supremo Tribunal Federal. Há várias explicação para este fato. Há quem diga que os  votos  foram  motivados pelos saborosos jantares oferecidos pelo palácio. Outros alegam que os deputados foram comprados por emendas, anistias fiscais  e até mesmo, por cargos para seus apadrinhados. Talvez essa fábula, possa explicar a lógica de votos tão absurdos: se protejo quem é suspeito de crimes graves, ninguém vai se importar com meus pequenos deslizes.
        A verdade é que, após o golpe do ano passado, o País vive um enorme retrocesso em todos os sentidos, seja na ética,
na  política e na justiça. Os brasileiros saberão reverter este
quadro.

domingo, 30 de julho de 2017

VIAGENS: Pirenópolis e Corumbá de Goiás

Distante mais de 1.000 km de onde moro, Pirenópolis, no estado de Goiás, andou na minha lista de lugares a conhecer por um bom tempo. Muitas vezes mencionada como destino obrigatório para os que gostam de cidades históricas e que apreciam trilhas, há uma semana ´pude ir comprovar se a fama era merecida.
Em boa parte sim, digo, com pouco receio de estar sendo injusta. Falo que valeu a pena parcialmente, porque fomos surpreendidas com algumas "brincadeiras sem graça", durante a viagem.
De positivo, ressalto a beleza da cidade e da região, que não apenas conserva seu casario histórico colonial de mais de três séculos, como mantém fortes tradições culturais, como a festa do Espírito Santo que inclui Congadas e Cavalhadas.
Igreja do Rosário
Museu do Divino
Casario Colonial
 Um dos primeiros municípios do estado de Goiás, emancipado há mais de 300 anos, Pirenópolis é hoje uma cidade sossegada (exceto nos finais de semana) e charmosa; um encanto passear por suas ruas de pedras, visitar suas igrejas e museus, e perambular por lojas e galerias de arte. Tudo com direito a paradas em restaurantes, lanchonetes, sorveterias, cafés e outros estabelecimentos que oferecem, além da tradicional culinária goiana,  comida vegana de boa qualidade. Conhecer e apreciar a castanha  e o licor de baru fazem parte das boas descobertas de Pirenópolis. O artesanato local é rico e parecido com o de Minas Gerais. Assim como boa parte das cidades históricas do meu estado, o garimpo de ouro e pedras preciosas foi atividade econômica importante na região, existindo ainda hoje. A produção de quartzito, a pedra de Goiás, sustenta, juntamente com o turismo, a economia local.
Além de peças em tear e bordados de beleza singular, encontram-se também doces,licores e produtos da região, como castanhas, pimentas, flores secas e chás.  
As igrejas do Rosário e do Senhor do Bonfim, ambas do século XVIII, são bonitas e merecem ser visitadas, assim como o Museu do Divino e o Museu das Cavalhadas. O primeiro guarda rico acervo da maior festa da cidade, sendo mantido pelo município. O outro é sustentado pelo esforço de uma família que, motivada a manter a tradição local, formou um estoque considerável de peças alusivas à cavalhada, uma representação   da guerra entre mouros e cristãos e que ocorre durante a festa do Divino.
Encantadora vegetação do cerrado.
Acrescenta-se ainda a beleza da topografia e da vegetação de Pirenópolis, que abriga belas cachoeiras e trilhas que cortam o cerrado, sempre encantador e rico em biodiversidade.
O município de Pirenópolis é tombado, desde 1989, como conjunto arquitetônico, paisagístico e histórico, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.

Parque Estadual dos Pirineus -  A região delimitada pelo Parque situa-se, em sua quase totalidade, em altitudes superiores a 1.200 m, abrangendo a Serra dos Pirineus, um dos pontos mais altos do estado de Goiás. É abrigo de diversas espécies endêmicas do Cerrado e possui formações rochosas do período pré-cambriano*. Ali encontram-se nascentes importantes como a do rio das Almas, sendo o parque considerado um divisor de águas continentais, por delimitar as bacias do Rio Amazonas e do Rio da Prata. Apesar disso tudo, encontra-se praticamente abandonado. Essa é, assim, aquela parte não muito boa que mencionei no início.
O local não possui portaria, centro de visitantes e qualquer outra estrutura de apoio ao turista. Sente-se a ausência de monitores, ou outras pessoas para oferecer orientações e recomendações aos visitantes. Sabe-se, segundo informações de guias locais, contratados na cidade, que casas de propriedade do parque, servem de residência a funcionários. Apesar de estar dentro da área de preservação e proteção ambiental, com estranheza avistamos diversas cabeças de gado em uma dessas propriedades. Outra edificação, também dentro do parque, uma linda casa de madeira, encontra-se abandonada, suja e caindo aos pedaços. A presença de latas vazias de cerveja pelos cômodos é visível sinal de que foi utilizada indevidamente.
O acesso ao pico mais elevado do parque, o Mirante da Capela, pode ser feito de carro, por estrada de terra até bem próximo ao elevado, que pode ser alcançado por trilha entre pedras com inclinação significativa. As partes mais difíceis possuem corrimões de madeira, assim como o mirante.

Corumbá de Goiás – Estando em Pirenópolis, vale a pena visitar a bonitinha cidade de Corumbá de Goiás. Fundada por volta de 1730, a cidade conserva parte de seus traços coloniais e resquícios da passagem dos bandeirantes em busca do ouro.
Ali é possível em um só dia, perfazer as trilhas que dão acesso a lindas cachoeiras, como a do Salto e a do Rasgão, além da cachoeira da Gruta e do Ouro. O município é separado de Pirenópolis pela Serra dos Pirineus. As águas que correm por Corumbá de Goiás desaguam inteiramente na bacia do Rio da Prata.
Cachoeira do Ouro
O salto do rio Corumbá, que forma a linda cachoeira do salto é uma das atrações mais convidativas da região. Apesar disso, não faz parte da área delimitada pelo Parque. Sendo propriedade particular, o acesso somente é possível mediante pagamento de taxa de entrada.
As trilhas que levam às cachoeiras são acidentadas e repletas de pedras, mas possuem em algumas partes, corrimões e pontes elevadas, alguns em estado precário.
Cachoeira do salto do Corumbá
Difícil compreender por que essa parte não foi incluída dentro da região tombada, pois é área contígua à do parque, faz parte do mesmo ecossistema e abriga rios, cachoeiras e grutas belíssimos.
Sendo assim, esse aspecto também pode ser incluído como parte da “brincadeira sem graça” que, infelizmente, também esteve presente em nosso passeio à região.

Apesar disso, o saldo é altamente positivo. Recomendo fortemente aos que têm atração por belas trilhas e cachoeiras, cidades históricas com fortes tradições culturais, além de artesanato de qualidade apreciável.  


 responsável por cerca de 80% do tempo geológico, iniciado há aproximadamente 4,5 bilhões de anos e terminado com o surgimento dos fósseis.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

COMIDINHAS – Sagu ao Creme

Como contei recentemente, estive no mês de maio viajando pelo sul do Brasil, com uma esticadinha ao Uruguai e à Argentina.
Como bom garfo que sou, uma das coisas que aprecio nas viagens é explorar a culinária da região. No geral, nas cidades por onde andei, come-se bem. No entanto, não demos muita sorte, dessa vez, com uma das sobremesas mais tradicionais do Rio Grande do Sul: o doce de sagu com creme.
Como é comum hoje em dia, com praticamente todas as comidas, ao pesquisarmos na net, encontramos várias receitas do doce de sagu.  A receita que vou passar, aprendi a fazer com um amigo gaúcho, há bastante tempo e é deliciosa.

DOCE DE SAGU AO CREME
Ingredientes
200 gramas de sagu
400 ml de vinho tinto seco
400 ml de água
Uma lata de leite condensado 
400 ml de leite
5 colheres das de chá, de leite em pó desnatado
3 gemas
Modo de Preparo do Sagu
Deixe as bolinhas de sagu de molho em água fria por 15 minutos. Escorra e leve a ferver em uma panela de inox, com o vinho. Mexa sem parar com uma colher de pau, mantendo o fogo baixo. Sempre que perceber que a mistura está ficando muito grossa, acrescente meio copo de água fervente e vá repetindo a operação até que as bolinhas do sagu fiquem totalmente transparentes. Esse processo demora cerca de uma hora. Vai ficar como uma papa mole, de aspecto bem gelatinoso. Distribua o sagu em taças baixas e deixe esfriar.
Modo de Preparo do Creme
Junte o leite condensado, o leite comum, o leite em pó e  as gemas, batendo no liquidificador por cerca de três minutos. Leve a mistura ao fogo baixo, em uma panela de inox, mexendo sem parar. Assim que abrir fervura, desligue e deixe descansar, até ficar morno, mexendo de vez em quando. Em seguida, distribua o creme em cima das taças com o sagu, já frio e leve para gelar por cerca de duas horas.


Esta receita, típica do Sul, geralmente é feita com o vinho rústico que eles chamam vinho da colônia. Consta que a sobremesa pode ser servida quente. Nunca experimentei dessa forma. 

quarta-feira, 28 de junho de 2017

BUENOS AIRES


Casa Rosada, sede do governo argentino
Chegamos a Buenos Aires de bukebus, após uma confortável viagem de pouco mais de uma hora,  pelo Rio da Prata, a partir de Colônia do Sacramento, no Uruguai.
Aporta-se no bairro de Puerto Madero, uma região que, após ser revitalizada, adquiriu ares contemporâneos, abrigando os edifícios mais modernos da cidade.
Catedral de Buenos Aires
Como diz o tango de Gardel, não é difícil esquecer tristezas em Buenos Aires. Além de colorida, ensolarada e alegre, a cidade tem ruas limpas, largas e bem arborizadas; possui a arquitetura original bem preservada,  boa comida, bons vinhos, vida cultural flamejante e muitas outras atrações.
Arquitetura elegante
Mesmo sendo a segunda maior  da América do Sul, e uma das vinte maiores  do mundo, a cidade não é caótica, nem violenta. É uma das metrópoles mais seguras do continente e possui uma das menores taxas de homicídios das Américas. É pouco poluída em comparação com cidades do seu porte e abriga mais de 250 parques e espaços verdes, para desfrute de sua população e dos milhões de turistas que a procuram diariamente.
Buenos Aires é bem servida de hotéis e restaurantes, sendo famosa por seus bares e cafés. Do ponto de vista cultural, é uma capital muito atraente, abrigando mais de 250 teatros e casas de espetáculos, como o teatro Colón, considerado uma das melhores salas de concerto do mundo. A cidade é um polo cultural importante, contendo um número significativo de bibliotecas, teatros, cinemas e associações culturais, além de centenas de livrarias, o que a faz conhecida como “a cidade dos livros”. Além disso, é bem servida de museus, como o Museu Nacional de Belas Artes, que abriga quadros de artistas renomados como Renoir, Cézanne, Monet etc. Possui ainda, alem de outros,  o MALBA – Museu de Artes latino-americana  de Buenos Aires, localizado no bairro Palermo, onde fui ver aquele que é talvez o quadro mais famoso do Brasil – O Abaporu de Tarsila do Amaral. Lá também podemos encontrar obras de Frida Kalo, Botero e do brasileiro Cândido Portinari.
Buenos Aires é uma cidade moderna.  Uma lei, aprovada em 2012, permite que pessoas mudem suas identidades de gênero sem enfrentar barreiras como diagnóstico e acompanhamento psiquiátrico, ou cirurgias, tornando a Argentina um dos países mais avançados nessa questão.
Casas antigas no Camiito
Fazer um tour pela cidade é um programa muito bacana que geralmente se inicia pela Praça de Maio, onde se situam a Casa Rosada (sede do governo federal) e a Catedral Metropolitana de Buenos Aires. Ali ocorrem frequentemente manifestações políticas e os históricos encontros das Mães da Praça de Maio. Passear por Palermo, o bairro mais elegante da cidade, com seus extenso e floridos bosques é extremamente prazeroso; conhecer a Ricoleta, com seus bares charmosos e dar uma passada pelo Caminito, o tradicional bairro que é berço do tango argentino, também são bons programas.
Além de ser muito prazeroso, andar a pé por Buenos Aires não é difícil. A cidade possui um traçado bastante regular, com ruas perpendiculares e avenidas e calçadas largas, além de belas praças.
Um passeio praticamente imperdível é bater pernas na Rua Florida. Ali, há um comércio intenso e variado; os estabelecimentos comerciais no geral situam-se em edifícios de arquitetura europeia, onde se destaca a beleza das fachadas e dos portões. Pode-se ver arte na rua, casais dançando tangos, estátuas vivas, músicos e todo o burburinho da cidade.
À noite, cafés, bares e restaurantes, muitos com música ao vivo são programas quase obrigatórios. A culinária local, com forte influência italiana é um dos pontos de destaque. Os pães da Argentina, assim como os do Uruguai são inesquecíveis. Especialmente o  croissant (que eles chamam de medialuna), um pãozinho de massa folhada, com muita manteiga, é uma tentação para qualquer dieta. É possível saborear, em ambientes bonitos e aconchegantes, carnes e massas, bons vinhos, assim como  cafés e sobremesas com preços bem razoáveis, o que é também um atrativo da cidade.

Amigas e Amigos em Buenos Aires (Nós, em café que tem
estátuas de Borges, Gardel e Alfonsina Storni), ícones
da cultura argentina
Foi minha segunda viagem a Buenos Aires e, a impressão que fica é que, de lá sempre se vem com vontade de retornar um dia. Não é por acaso que a capital da Argentina é um dos mais importantes destinos turísticos do mundo. 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

RUMO AO SUL 2

De Gramado seguimos para a fronteira, com destino ao Uruguai. Passamos por Porto Alegre, Pelotas, Novo Hamburgo, Canoas, contornamos em alguns trechos, o lindo lago Guaíba. Na região, predomina a vegetação baixa com extensas áreas de pastagens, rebanhos de gado bovino e esparsos campos de cultivo de arroz. Avistam-se muitas  torres com imensas hélices para geração de energia eólica. Uma travessia bonita.
Diferenças regionais são perceptíveis no linguajar. Quando dizemos, no posto de gasolina ou no pedágio,  -  obrigada, nosso interlocutor responde:  Merece! No restaurante, para espanto da mineirada, serviam tutu de feijão com cobertura de queijo!
Pernoitamos na cidade de Santa Vitória do Palmar, bem pertinho de  Chui, cidade da fronteira, para onde rumamos no dia seguinte bem cedo. Ali fizemos os procedimentos para dar entrada no Uruguai, passando pela imigração, e cuidamos de obter a ‘Carta verde’, documento necessário para transitar com automóvel brasileiro naquele país. Tal documento consiste basicamente em uma autorização para circular no país por período de tempo determinado e inclui um seguro do automóvel e contra acidentes com terceiros. A cidade de Chuí é cortada por uma avenida: de um lado, território brasileiro, do outro uruguaio.
Dai seguimos para Punta del Este, que fica a cerca de 200 km da fronteira. Passamos por Castilhos, Rocha e Maldonado. A estrada é boa, plana com sinalização perfeitamente compreensível, pouco trânsito e, melhor, sem pedágios.
Praia em Punta del Este
Não havíamos decidido se ficaríamos por uns dias em Punta del Este. Chegando cedo, circulamos de carro pela cidade. No período em que por lá passamos havia pouco trânsito, o comércio estava, em sua maioria, fechado e a cidade não nos pereceu muito atraente. O tempo estava frio e caia uma leve neblina.
As praias do lugar possuem águas com aspecto barrento e a areia é amarelada. Conhecida como um balneário de luxo e por possuir o maior hotel cassino da América do Sul, parece que, fora do verão, quando costuma receber em torno de um milhão de pessoas,  Punta del Este é quase uma cidade fantasma. Em um dia frio e com um pouco de neblina, praticamente não havia pessoas nas ruas, exceto um ou outro caminhando ou correndo na orla. 
Demoramos a encontrar um restaurante aberto, mas quando achamos, a impressão da cidade melhorou bastante. Pudemos constatar que a cidade, também conhecida por sua gastronomia, faz jus à sua fama.  Pedimos uma parrillada, um churrasco típico do Uruguai, com carnes e legumes grelhados num braseiro, à vista dos clientes. Mas antes que pudéssemos experimentar o prato principal, a entrada já nos impressionou bastante, principalmente pela qualidade dos pães. E a carne... bem a carne era de comer rezando.
Sem muita disposição para arriscarmos a sorte nos famosos cassinos da cidade e como estávamos a apenas 130 km de Montevidéu, resolvemos seguir viagem.
Montevideu é uma cidade limpa e arborizada
Portal em Montevideu
                Chegar em Montevideu no início da noite, com o tempo nublado, foi meio tenso. Afinal é uma cidade grande. Encontrar o hotel reservado, mesmo com o auxílio de mapas e gps não foi tão simples. Diz-se nas informações disponíveis, que é uma cidade pacata. Nem tanto. Nessa noite, cansados da viagem, saímos por perto, apenas para jantar. Embora estranhando a maioria dos pratos que não fossem carne ou massa, aprovamos mais uma vez. Conhecemos o chivitos, prato comum no Uruguai e que consta de um grande sanduiche aberto, com carne (não hambúrguer), ovos, salada e muita batata frita.
Praça da Independência
No dia seguinte escolhemos fazer um tour pela cidade. Começamos pela Praça da Independência, onde há um conjunto arquitetônico interessante e pontos turísticos charmosos como o Portal da Cidadela (portal que restou da fortaleza que protegia a cidade de invasões, na época da colonização), o monumento a  Artigas, o libertador do Uruguai, o teatro Solis e a Casa Legislativa. Ali também está o Palácio Salvo, construído por inspiração da Divina Comédia de Dante, um edifício de arquitetura majestosa e grande beleza, que é um dos principais cartões postais de Montivideu. A praça Independência  separa a cidade velha da parte mais moderna de Montevidéu.
Monumento ao Carro de bois
Visitamos o parque Batle, uma extensa área verde no meio da cidade, onde fica o Monumento ao Carro de bois (Carreta), obra do escultor José Belloni, uma bonita homenagem ao primitivo meio de transporte utilizado durante séculos, principalmente no meio rural. Perto dali fica o estádio Centenário, a mais importante arena de futebol uruguaio, que diga-se de passagem, é uma das grandes paixões do país.
Passeamos à beira mar, pela Avenida Rambla que se estende por mais de 20 km ao longo da costa, com um belo calçadão arborizado com a bonita palmeira fênix canariense,  muito presente no paisagismo local. Por ali pessoas praticam exercícios e caminham com seus animais. Em toda a extensão da orla há bonitos edifícios de moradia, bem como hotéis charmosos e os onipresentes cassinos.
Passamos uma tarde no Mercado do Porto, um dos símbolos da cidade e que  possui mais de 130 anos.  É um lugar para demorar mais tempo e almoçar. Há, além de várias lojas de artes, artesanato e antiguidades, diversos restaurantes onde se come a melhor carne uruguaia, a verdadeira parrilla. Não é à toa que os uruguaios, ou melhor os orientales (porque Montevideu fica do lado oriental do rio da Prata, que ali se encontra com o Oceano Atlântico), orgulham-se tanto de, apesar de seu pequeno território, serem um dos  maiores exportadores de carne do mundo. Essa atividade foi a responsável pelo destacado desenvolvimento do país na segunda metade do século XX, fazendo com que o Uruguai fosse chamado  “a Suíça das Américas”.
Mirante em Colônia
Chegada a Colônia do Sacramento arborizada com
a fenix canariense. Foto: Fátima Castro
 Colônia do Sacramento
O próximo destino foi Colônia do Sacramento, uma charmosa cidadezinha histórica situada às margens do Rio da Prata. Fundada em 1680, por portugueses, a cidade foi palco de disputas ferrenhas entre esses e os espanhóis, que acabaram dominando a região. É considerada um dos pontos turísticos mais bacanas do país, sendo reconhecida pela UNESCO, como patrimônio da humanidade. Passear por suas ruas com calçamento de pedra original, admirar a beleza da arquitetura colonial e dar uma esticadinha pela areia da praia, antes de parar em um dos charmosos restaurantes para o almoço é um programa divertido.
Ao contrário de Punta del Este, a cidade fervilhava. O comércio, além da enorme variedade de restaurantes e hotéis,  é farto em boas lojas de roupas de frio e de artesanato. A oferta de bons vinhos é variada, não é à toa que o povo apregoa que o país, apesar de pequeno possui mais de 190 vinícolas.
Em Colônia já estávamos às margens do Rio da Prata que separa o país da Argentina. Aliás, o rio deu nome ao Uruguai, que na linguagem indígena, significa “Rio dos pássaros pintados”.  
No dia seguinte  atravessamos de bukebus, o Rio da Prata, que mais parece um mar, com destino a Buenos Aires. Para evitar o risco de fazer aqui um textão, deixarei para um próximo post o relato de nossa memorável permanência na capital da Argentina.
Amigos em Colônia do Sacramento