quinta-feira, 22 de março de 2018

CONVERSAS DE JARDINEIROS - CACTOS E SUCULENTAS

Muitas revistas e sites dedicados à jardinagem, ao paisagismo e à decoração de interiores, afirmam que Cactos e Suculentas são plantas muito fáceis de cuidar e de manter. Dizem que, por essa razão, até mesmo quem não possui experiência alguma com plantas, nem dispõe de tempo para cuidar, pode cultivar facilmente tais espécies.  
Não acho que seja bem assim.  Qualquer planta exige cuidados e um mínimo de conhecimento sobre as suas características, para que possa permanecer bonita e saudável por bastante tempo.
Cacto em flor


Cactos, na maior parte das vezes, são espinhentos e precisam ser manipulados com muito cuidado, para evitar o contato com a pele. Necessitam de sol, ou pelo menos de bastante claridade para sobreviverem, e se adaptam melhor em regiões de clima quente.  Apreciam serem plantados em solo bem drenado, com uma boa proporção de areia grossa e, ou pedriscos. No entanto, para ficarem bonitos e crescerem vigorosos, não dispensam matéria orgânica em seu substrato.
Lindo cactos sem espinhos
Podem sobreviver por algum tempo em ambientes fechados. Todavia, para cultivá-los dentro de casa, é preciso que haja claridade e, preferencialmente, alguma entrada de raios solares. Se não for assim e permanecendo longos períodos nesse tipo de ambiente, costumam perder suas formas e cores originais, ficando estiolados e feios.
Há cactos de florações muito bonitas, existindo também algumas espécies sem espinhos mais fáceis de serem cuidados.
Os cactos costumam variar muito de tamanho, havendo os que atingem alturas superiores a dois ou três metros, enquanto outros, mesmo em sua fase adulta, alcançam apenas alguns poucos centímetros. Por esse motivo, a sua utilização vai depender obviamente do espaço que se tem disponível para o cultivo. Canteiros maiores podem ser formados em combinação com  agaves e iucas, por exemplo, resultando em bonitos conjuntos. Essas são plantas com necessidades semelhantes aos cactos e que demandam cuidados parecidos.
Agaves compõem bem com cactos maiores
Quanto às Suculentas, geralmente são plantas perenes, pobres em floração, cujo maior atrativo costuma ser o formato da sua folhagem rechonchuda, que acumula grande quantidade de água.
Assim como os Cactos, as Suculentas apreciam climas quentes, sol, preferencialmente o da manhã, e solo com boa drenagem. Mais que os primeiros, necessitam matéria orgânica no solo, sob pena de não se desenvolverem.
Nesse grupo de plantas, as mais comuns são as conhecidas popularmente como rosas de pedras, cuja folhagem suculenta desenvolve-se em torno de pequeno tronco lembrando o formato da rainha das flores. 
Composição com suculentas
Rosa de pedra
É possível fazer composições com suculentas de tamanho e formatos variados, formando bonitos conjuntos. Obviamente, para se obter um bom resultado, além dos aspectos estéticos das plantas, deve-se atentar para as suas necessidades de sol e características do solo.

Fiz uma experiência dessa há cerca de quatro meses, plantando suculentas em um vazo de argila, em formato de bacia. Utilizei substrato rico em matéria orgânica, porém com cerca de 20% de pedriscos para uma boa drenagem. No fundo do recipiente coloquei uma pequena camada de brita. Posicionei-o em local que recebe apenas o sol da manhã. Rego com pouca água, em dias   alternados. Está muito bonito, mas é trabalhoso retirar os matinhos que brotam com frequência no meio das plantas. Às vezes preciso utilizar uma pinça, sob pena de danificar as delicadas suculentas, cujas folhas soltam-se da planta com muita facilidade.
A reprodução de Cactos e Suculentas é geralmente feita a partir de mudas, ou partes destacadas da planta mãe; em seguida devem ser transplantadas para outro recipiente. No caso das suculentas, apenas uma folha costuma gerar brotação, formando um novo exemplar.
Esses dois grupos de plantas, por possuírem exemplares de tamanho bastante reduzido, prestam-se bem ao plantio em pequenos recipientes. Mini vasos ficam um mimo com uma ou mais dessas plantinhas; porém duram pouco, pois as plantas consomem rapidamente os nutrientes do substrato.
Mini vaso com cactos

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

ATRAÍDA POR MUSEUS

Museus, casas de cultura e exposições me atraem, como nenhum outro espaço, nos locais onde visito. Nesse começo de ano, tive oportunidade de vivenciar três experiências nesse contexto: uma excelente, outra boa, porém nem tanto e a última decepcionante.
Vista da Bahia de Guanabara a partir do MAC
Em Belo Horizonte, conheci e encantei-me com o MUSEU DE CIÊNCIAS NATURAIS, mantido pela PUC – MG, (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais). Depositário de um ótimo acervo, o museu guarda uma das maiores coleções de paleontologia do Brasil, com cerca de 60.000 fósseis e 17.000 exemplares nas coleções de plantas e animais invertebrados, peixes, anfíbios, aves e mamíferos atuais.  Possui também um jardim de borboletas, e funciona como espaço de educação ambiental, recebendo estudantes e promovendo atividades educativas, visando a conscientização da importância de se preservar a biodiversidade do planeta Terra.
Professores, em sua maioria, adoram um museu

Réplicas de grandes dinossauros que viveram na América do Sul são a grande atração do museu, embora ele guarde preciosidades como o crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo já descoberto no Brasil e o esqueleto de um grande mamífero brasileiro extinto, - uma preguiça gigante, encontrada na Chapada Diamantina, na Bahia.
O acervo é muito bem organizado em cinco setores. Já na entrada, visita-se a Era dos Répteis, que contem esqueletos de dinossauros sul-americanos, pterossauros e um crânio de um crocodilo gigante, mostrando a fauna que dominou a terra cerca de 150 milhões de anos atrás, no período denominado Mesozóico. No segundo piso, somos recebidos pela Coleção Peter Lund. Essa parte do acervo expõe ferramentas, instrumentos e objetos pessoais do pesquisador, além de diversos fósseis e objetos por ele encontrados, especialmente em pesquisas  na região de Lagoa Santa, em Minas Gerais.
O Museu apresenta ainda um espaço que se dedica ao Cerrado, bioma que ocupa 21% do território brasileiro e vem sendo continuamente devastado. Há também uma seção dedicada a mostra de espécies de Animais Exóticos que não ocorrem no Brasil, como elefantes e rinocerontes, entre outros e um grande acervo da Fauna Marinha.  
Reprodução de cena do Cerrado


 O MCN da PUC Minas fica aberto no horário comercial. As visitas são acompanhadas e muito bem orientadas por monitores, estudantes universitários dos cursos de biologia, história, filosofia, pedagogia e outros. Enfim, uma preciosidade, aqui no nosso estado e ainda pouco conhecido pela maioria das pessoas que não são das áreas de ciências. Imperdível.

O MUSEU DE ARTE CONTEMPORÃNEA - MAC de Niterói, estado do Rio, foi outro espaço que tive oportunidade de visitar e que embora tenha me encantado em alguns aspectos, aborreceu-me por não deixar expresso que o seu acervo permanente está indisponível para visitação.
MAC - a imponente "taça" de Niemayer
Embora seja decepcionante visitar um museu de arte e não ter acesso ao seu acervo principal, as  mostras  itinerantes que se encontram em exposição durante este mês são bem interessantes.
Cascavida
Oxalá que dê bom tempo 
A mostra intitulada “Oxalá Que dê Bom Tempo”, da artista plástica Regina Valter, contém peças intrigantes. Destaco a instalação denominada Cascavida, um grande conjunto composto por tecido de filó e casca de ovos que, ao lado da montagem que dá nome à exposição, uma peça elaborada com fios de nylon e penas brancas, chamam a atenção e despertam curiosidade e fascínio nos visitantes.

 O artista pernambucano Bruno Faria apresenta em sua exposição no MAC - Niterói peças elaboradas a partir de documentos e apropriação de objetos para construir narrativas inusitadas, como, por exemplo, o conjunto com mais de oitenta capas de discos de vinil, lançados por artistas brasileiros entre as décadas de 1960 e 1990.  
Também em exposição no Museu, neste mês, estão obras de pintura abstrata de Rafael Alonso. Utilizando diferentes recortes e materiais para aplicar faixas de cor de contraste acentuado sobre suas telas, o artista produz peças interessantes e com um apelo visual extraordinário.
Obra de Rafael Alonso exposta no MAC-Niterói

Todavia, o maior atrativo do Museu é sem sombra de dúvida, a extraordinária e elegante arquitetura de Oscar Niemayer, falecido recentemente. A escolha do local para instalação do prédio, uma construção em forma de taça, é também algo que chama a atenção, pois de todas as partes se tem vistas magníficas, seja da Bahia de Guanabara, no Rio, ou da cidade de Niterói.
Entre as justificativas para o tombamento da Casa da Flor está o ineditismo criativo
Casa da Flor- Foto: reprodução site IPHAN

Por fim, fiz a tentativa de visitar a CASA DA FLOR, em São Pedro da Aldeia, na região dos lagos, também no estado do Rio.  Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural Brasileiro, o IPHAM, a casa encontra-se fechada e abandonada, sem nenhuma explicação nos sites dedicados à sua divulgação.
A Casa da Flor é uma obra de arquitetura e escultura construída pelo artista Gabriel dos Santos, natural de São Pedro da Aldeia, RJ. Durante toda a sua vida, o artista juntou “coisinhas” , como ele se referia, para edificar sua morada, que foi erguida utilizando esteios de madeira e muita pedra, decorados com mosaicos, esculturas e enfeites, criados a partir de materiais desprezados. Com cacos de louça, pedaços de azulejos, conchas, peças de automóveis e outros, o autor construiu uma obra de arte inédita, que, exageros à parte, já foi comparada a trabalhos de Gaudi, o extraordinário arquiteto catalão.
Vista da Casa da Flor como a encontramos

Assim como Bispo do Rosário, Gabriel era muitas vezes, orientado por sonhos. Dessa maneira, o artista foi criando seu original recanto, uma casa em forma de T, localizada na parte alta de um terreno em aclive, ligando-a à rua por uma escadaria de pedras, adornada com esculturas,  formando um conjunto inusitado e original.   
Para nossa tristeza, a casa encontra-se, como já disse, desprezada e abandonada. Pudemos vê-la apenas em sua parte externa, numa tarde chuvosa, a partir de uma rudimentar cerca de arame que a contorna. Do jeito em que está, fica facilmente sujeita a saques e destruição. O governo federal divulga com alarde o seu tombamento e a sua transformação em patrimônio histórico e cultural brasileiro. No entanto, trata essa preciosidade  com o desprezo típico de sua gestão ineficaz e fraudulenta.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

TRÊS

Cecília Meireles, sempre oportuna, mais atual do que nunca.

TRÊS

Eu vi as altas montanhas
Ficarem planas
E o mar não ter movimento
E as cidades irem sendo
Teias de aranha.

Por mais que houvesse, dos homens,
Gritos de amor ou de fome,
Não se escutava
Nem a expressão nem o grito
- Que tudo fica perdido
Quando se passa.

Eu vi meus sonhos antigos
Não terem nenhum sentido,
E recordava
Tantas emoções de cativos
Estendendo em seus jazigos
Duras garras.

Rios de pranto e de sangue
Que pareceram tão grandes,
Onde é que estavam?
A asa que longe se move,
Desprende-se quando sobe,
Da humana larva. 


(In: Cecília Meireles. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.)


sábado, 30 de dezembro de 2017

Balanços Inevitáveis

Chega o final de dezembro e, quando nos damos conta, já estamos refletindo sobre como foram os meses passados e fazendo planos para o ano novo. Mesmo  sabendo que, como disse o poeta,  "não sou quem me navego, quem me navega é o mar".
2017 provavelmente vai ficar na história como um "ano perdido": retrocessos nos direitos dos trabalhadores, desgoverno, corrupção quase generalizada entre os políticos, entrega de patrimônio dos brasileiros a empresas multinacionais, descaso com a educação, com a saúde e com outros deveres do estado, compra de votos e de apoios parlamentares à luz do dia, entre outras aberrações.
As perspectivas para o ano vindouro não são muito animadoras. Ano eleitoral geralmente é um tempo de renovar as esperanças, me desculpem o termo chulo, mas parece que brasileiro não se cansa de fazer m..... Candidato de extrema direita desponta entre os favoritos. Ocupando cargo público há mais de 25 anos, apresenta-se como o "salvador da pátria", aquele que vai mudar o sistema, mesmo fazendo parte dele há tanto tempo. O sujeito é truculento, intolerante, preconceituoso, além de ser defensor da pena de morte e da redução da menoridade penal, do uso indiscriminado de armas de fogo e de uma série de outras barbaridades. E há quem acredita em um crápula desses e defenda que ele vai melhorar o país. Sinceramente não sei se isso é ingenuidade; mais me parece ser ignorância e incapacidade de compreender a dificuldade em encontrar alternativas para convivência civilizada,  diante da complexidade dos problemas atuais.
Apesar de tudo vemos alguns mínimos avanços. A democratização da informação e o aumento na possibilidade de escolhas de meios de comunicação é o mais notável. 
E porque estamos renitentemente tentando ser alegres e esperançosos, lembramos que também neste ano que se finda, sabiás chocaram em nosso jardim. Fizemos arte, cuidamos das flores,  conhecemos novas trilhas e cachoeiras, continuamos tentando aprender a dançar, estivemos juntas com a família e amigos e, cada vez mais, sintonizadas com a natureza. 
Como são difíceis de de fotografar, os danadinhos

Desprezaram a casinha e
fizeram o ninho no vaso
E como disse aquele outro poeta, o maior de todos: "às vezes ouço passar o vento e penso que só por ouvir passar o vento, vale a pena ter nascido".
Feliz ano novo a todos, especialmente aos leitores  desse meu singelo bloginho.
Cachoeira da fumaça em Carrancas-MG.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

JUNTOS SOMOS MELHORES

Acabo de receber os pacotes com minhas criazinhas desse ano: dois livrinhos infantis. Demorou, mas é bom que tenham chegado nessa época tão bonita e tão boa para presentear. Escrever faz parte de meus sonhos e da minha trajetória. Escrever para crianças insere-se dentro de um propósito de levar a vida brincando, com mais leveza e pouca censura.
Ficaram bonitos, não tenho como negar. Todavia devo reconhecer que o resultado final é também devido ao talento da ilustradora, à criatividade do responsável pelo projeto gráfico e tem muita contribuição dos editores e revisores. Nunca é demais lembrar que "nenhum de nós é tão bom, quanto todos nós juntos". 
Estou gostando dessa brincadeira e já  ensaiando novas rodadas. O aprendizado apenas começou. Há uma mente inquieta fervilhando de ideias e projetos já  bem delineados. Espero ter disposição, porque ficar parada não é do meu feitio. Sou movida a curiosidade, ousadia e paixão pela arte de maneira geral e especialmente pela literatura. 
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