domingo, 17 de dezembro de 2023

É NATAL, TEMPO DE NASCIMENTO

Chegou a época do nascimento mais celebrado do mundo! É sempre bom comemorar o natalício Daquele que pregou o amor, a paz a fraternidade, a irmandade e a harmonia entre as pessoas.

Por aqui além dessa grande celebração estamos comemorando também um outro nascimento: o de um livro muito sonhado. ESTANDARTES - Tradição e Resistência. Trata-se de um exemplar contendo fotos e histórias das minhas composições bordadas que tem sido muito bem recebidas por onde são divulgadas. Nas exposições, em  que foram mostradas têm (modéstia à parte) encantado muita gente.

 Para mim é uma grande alegria compartilhar minha arte e contar as histórias que inspiraram cada uma das peças. Ao fazer essa empreitada, busquei parcerias com profissionais qualificados e a impressão feita na gráfica da Editora da Universidade Federal de Viçosa também confere qualidade à obra.

O livro que contem 88 páginas impressas em papel couché gramatura 180 e capa em cartão 250 possui 37 fotografias e descrições de composições de estandartes e uma a instalação feita com 17 peças em conjunto com outro artista, exposta recentemente na Primeira Feira de Artes de Viçosa. Foi publicado pela Editora Fique firme e as fotos são de autoria de Denis Russi. A capa e o projeto gráfico são de Miro Saraiva.

Cada exemplar está sendo disponibilizado no site da editora, ou em nas redes sociais por R$ 80,00 cada. Dois exemplares custam 150,00 reais. Mais uma vez, deixando a modéstia de lado, penso que é um lindo presente de Natal para oferecer a amigos e familiares.



capa do livro


ficha técnica

domingo, 29 de outubro de 2023

QUEM TEM MEDO DE BRUXAS?

 

Dia das bruxas vem ai. É logo depois de amanhã e tem polêmica nas redes sociais. Alguns, entre os quais me incluo, criticam a mania de boa parte da população brasileira de imitar costumes estadunidenses. Por lá parece que a farra é boa nesse dia, especialmente para as crianças, que já desde cedo são incentivadas a obter benefícios na base da troca, ou pior: da ameaça. Gostosuras ou travessuras, bradam os pequenos. Caso em alguma residência, não obtenham o que pediram, estão autorizados pelos pais e pelo costume a jogarem sujeiras, rabiscarem os locais, ou fazer algumas  malcriações.

Outros, principalmente  pessoas religiosas fundamentalistas (e como anda tendo esse tipo de gente no Brasil nos últimos tempos!), vivem bradando que o uso de fantasias horripilantes, maquiagens cadavéricas e assombrações feitas de abóbora são “coisas do encardido” e que tais costumes devem ser renegados, porque abrem as portas para a entrada do dito cujo nas famílias e nas casas.

Embora considere a festa no modelo mencionado uma bobagem, mais um americanismo entre muitos outros, a comemoração por si mesma de um dia dedicado às bruxas soa-me até como algo bastante simpático, porque tenho admiração por elas e às vezes até me sinto uma delas.

Rosas e vela branca, além de espada de São Jorge, flores
de cebola e alecrim entre outras ervas: uma bruxariazinha
 de vez em quando faz muito bem.

Mulheres, historicamente, têm sido relegadas a um papel secundário nas sociedades de forma geral e o reconhecimento de seus feitos ainda é tabu entre boa parte de homens e instituições. Sabe-se por exemplo, que o consumo de cerveja é habito milenar em boa parte do mundo. No entanto, é pouco divulgado que as primeiras pessoas responsáveis pela fabricação da bebida foram mulheres. Como responsáveis pela coleta, armazenamento e conservação de grãos desde os primórdios da humanidade, acabaram descobrindo a fórmula da elaboração da bebida e também das propriedades do lúpulo. Dele extraem-se substancias que dão aroma à bebida, e detém a proliferação de bactérias, além de melhorar a qualidade da espuma. Quando os homens quiseram apropriar-se do conhecimento e do domínio da fabricação da bebida tão apreciada, taxaram-nas de bruxas e feiticeiras.

Bastante tempo depois, no século XII, a freira alemã Hildegarda von Bingem foi a primeira pessoa a registrar as propriedades do lúpulo, em artigo escrito e publicado. Essa freira, que depois foi elevada à categoria de santa, foi uma das primeiras médicas que elaborou estudos bioquímicos ainda hoje prevalecentes, sendo mentora de algumas correntes atuais da nutrição e da medicina. Pouca gente já ouviu falar dela, e alguns preferem classificá-la como uma bruxa, uma mulher misteriosa detentora de muitos segredos.

No entanto,  para falar de bruxas e comemorar seu dia, nem precisamos ir tão longe na história. A cantora e compositora Rita Lee, uma mulher independente e desbocada, jamais se furtou a assumir o seu lado bruxa, especialmente no período da velhice. Antes já dissera que “mulher é bicho esquisito, todo mês sangra” e gravado a música Bruxa Amarela

 “Duas horas da manhã eu abro a minha janela

E vejo a bruxa cruzando a grande lua amarela

......................................................................”                                                                                                                  

Considerando-me uma delas, não posso duvidar de sua existência. Vivem disfarçadas em mulheres comuns, donas de casa, mães de filho, jardineiras, benzedeiras, escritoras, cozinheiras, fazem não uma, mas centenas de bruxarias por dia. Fazem parto, curam umbigos, benzem, consolam e reanimam, realizam verdadeiros milagres ao manobrarem seus horários entre trabalho, casa, cuidados com filhos e idosos, entre tantas coisas mais. Merecem ser comemoradas.


sexta-feira, 29 de setembro de 2023

DE NOVO E SEMPRE VIÇOSA

 

Repostagem 

Dentre tantos outros lugares possíveis, aqui nessa Viçosa escolhi viver. Foi esse o canto que elegi para criar minhas filhas, cultivar meu jardim, tecer meus bordados.
Aqui é uma escola. E a escola é um jardim
Não saberia dizer precisamente por quê. Suspeito que seja por seu nome tão bonito e porque esse lugar é uma escola. E todo dia, por aqui, é dia de aprender. E porque a escola é um jardim. E porque nesse jardim há lindas pistas para caminhada, o esporte que escolhi.   
A mais linda pista de caminhada
Fiz desse lugar minha casa e dela meu canto no mundo. Aquele para onde desejo sempre voltar, depois das viagens que tanto gosto de fazer. É para cá que trago as sementes que colho e as ponho para germinar. E faço mudas e as transplanto, para a alegria das formigas.  
Pode não ser muito, mas fiz dele meu lugar no mundo. Aqui vivo tentando juntar meus cacos e meus livros; experimento coser meus retalhos e arrisco uns passos de dança. Ensaio, quase sempre em vão, juntar palavras em crônicas, em poesia, em contos.
Aqui gosto de morar e experimentar coisas novas, no meio do caos dessa cidade, de suas feridas cravadas por seus algozes.
Painel  (mosaico) artístico de autoria
do Prof. Adenilson Monteiro


Não é fácil ver esse lugar tão sacrificado.  Autoridades permitem construções bem em cima do ribeirão, que tem nome de santo. Deixam-lhe botar barracas em cima, daquelas que vendem quinquilharias da China. Não exigem acessibilidade nas calçadas. Permitem que o trânsito vire uma bagunça. Não cuidam direito do lixo, nem levam em conta a necessidade de um ar mais limpo e de um andar mais seguro.
Mas aqui a esperança não morre, a comida e a cachaça são boas,  a mineirice é marcante. Encravada nesses morros, há a mais linda procissão de Santa Rita.
Esse é um reduto de gente hospitaleira e lugar de mestres e artistas. Há opções culturais o ano todo. Há muita gente que inspira, que luta por outras pessoas, utópicos querendo melhorar o mundo.  Aqui sempre encontro companheiros de luta.

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Crônica de um Baile de Final do Inverno

 

Uma dança sincronizada de folhas, flores e sementes, movendo-se em sintonia com os ventos de agosto, vai deixando as árvores ora nuas, ora cobertas de cores e plumagens exuberantes. A aragem fria e o calendário registram a despedida do inverno.

Despindo-se pouco a pouco, árvores vão lançando ao solo suas folhas amareladas. Tão nuas aparentam uma secura que pode levar a supor que estejam mortas.

Troncos nus parecem mortos

Parecem moribundas, os esqueletos pelados, expostos à poeira e à pouca umidade do ar. Entretanto, não é o fim do caminho. Basta um leve descuido do nosso olhar e elas se carregam em botões sutis, prestes a  explodir em cores. As folhas caídas ao solo vão decompor-se para tornar húmus fértil e realimentar o ciclo da vida.

Cássia Rosa


Etitrina

Aqui onde vivo, além dos Ipês, que são os mais aparecidos, nessa época do ano, juntam-se a eles as Eritrinas, as Paineiras e as Cássias cor de rosa formando o grupo das mais exibicionistas. Em pouco tempo o que antes eram galhos nus e sombras ralas, parecem esquecer as judiações do vento e da secura e passam a ostentar seus órgãos sexuais coloridos, excitantes. São as floradas exuberantes de agosto.





Paineira


Depois essas lindezas fertilizadas em amor umas com as outras, aquecidas pelos raios de sol e auxiliadas pelo vento caem por terra indo juntar-se às folhas que lhes precederam, incorporando-se também ao solo. Então as árvores lançam sementes aladas, ou não, que, ao movimento do ar, explodem tornando-se promessas de vida.

Semente alada de paineira

Exibicionistas que praticaram o ritual da dança de agosto expeliram sementes, que repousam no ventre da mãe terra, ansiosas pelas chuvas e pelos raios de sol até germinarem, estimuladas pelo calor incipiente e pelas primeiras e esparsas chuvas da temporada.

Atrás de uma leve cortina transparente, setembro está à espreita aguardando a primavera entrar em cena.

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segunda-feira, 31 de julho de 2023

Viagens - ITAÚNAS - ES

O rio é nossa mãe, disse o velho pescador. A bordadeira registrou as palavras que estão expressas em um enorme estandarte  exposto na sede do Parque Estadual de Itaúnas no Espírito Santo, distante apenas 30 km da divisa com a Bahia. Itaunas, cujo nome tem origem na língua tupi-guarani, significa pedra negra, uma referência às formações rochosas escuras do fundo do rio que banha a região.







Bordados contam a história do lugar
Famoso pela bonita paisagem formada por suas praias, dunas, rios e riachos e pela tradição do forró, o vilarejo turístico que leva o nome do rio, recebeu, por volta do século XVII, colonos portugueses que chegaram ao local antes ocupado por povos indígenas. Originalmente a vila inseria-se em meio a uma extensa vegetação constituída por  matas e uma pequena faixa de restinga que a separava do mar, o que a protegia do avanço das dunas que se movimentam constantemente com a ação dos ventos. Assim, existiu por cerca de 200 anos. Destruída a vegetação, entre as décadas de 1950 e 1970, as dunas foram avançando e soterrando as casas e demais edificações do local. A cobiça pela madeira e o desmatamento indiscriminado, que permeou toda a região norte do estado do Espírito Santo, foram responsáveis pela  tragédia.

Rio Itaúnas que separa a vila do mar

Resta hoje, visível no local, apenas  a casa do último casal de moradores a deixarem a antiga vila. Eles viviam da pesca e do cultivo de mandioca e de frutas nativas da região, como o caju, a pitanga e o coco da Bahia. A moradia, a casa do Tamandaré,  encontra-se em lamentável estado de abandono, apesar de haver uma promessa de restauração por parte do poder público do estado.

Casa do Tamandaré: única casa restante da vila original

Transformado em  área de proteção ambiental, em 1991, com a criação do Parque Estadual de Itaúnas, o local tornou-se uma unidade de conservação e proteção integral dos recursos naturais. A criação foi justificada pela ocorrência de grande concentração de sítios arqueológicos, indicando que a região já era habitada por pelo menos 3 a 4 mil anos e  porque as suas praias são importantes locais de reprodução de tartarugas marinhas. O parque tem também os objetivos de promover pesquisa científica, educação ambiental, recreação em contato com a natureza e  turismo ecológico.

O caminho da praia é
enfeitado pela vegetação  local

A partir da década de 1970, a vila foi sendo reconstruída  do outro lado do rio Itaúnas e transformou-se em um lugar bucólico e sossegado, constituído por casas simples, com ruas de terra batida e que possui apenas  cerca de 2.000 moradores. Tornou-se um paraíso de amantes da natureza, pessoas que gostam de caminhar e buscam praias bonitas, limpas e protegidas da especulação imobiliária. Itaúnas é também uma referência nacional para os apreciadores do forró, que procuram a região principalmente no mês de julho, quando ocorre o Festival nacional do forró.








O mar faz desenhos espetaculares na areia