Nesses feriados da Páscoa, mais que nunca, andava necessitando de descanso e sossego. Depois de planejar diversas vezes, finalmente, fui ao Parque Nacional da Serra do Cipó. Mais
precisamente, fomos ao município de Santana do Riacho, já que Parque e Serra
abrangem outras localidades.
O parque e a cidade ficam bem pertinho de Belo
Horizonte, onde me encontrava acompanhando pessoa da família com problemas de
saúde. A escolha foi, portanto, uma questão de praticidade. Tenho tentado conhecer todos os
parques e áreas de preservação ambiental do Estado de Minas Gerais e, na medida do possível, a
maior parte dos parques nacionais.
Como nossa viagem se restringiu a três dias, não pudemos conhecer o
parque Nacional em sua totalidade. Limitamo-nos ao município de Santana do
Riacho, justamente o mais próximo de BH e, ainda assim, conhecemos apenas parte
do que há por lá.
Escolhemos, para o primeiro dia, fazer a trilha que
dá acesso à Cachoeira da Farofa, uma das mais bonitas da região. O acesso é
fácil, embora, em seus 17 km de percurso, de ida e volta, seja longo para os meus
padrões. A trilha é praticamente toda plana, com poucos trechos acidentados e,
somente na chegada à cachoeira, precisa-se atravessar um caminho de pedras, com
certo grau de dificuldade. Há também no percurso, dois pequenos rios a serem
atravessados.
A trilha em si, é pobre em atrativos. Exceto pelo razoável número de
árvores típicas do cerrado, especialmente o pequizeiro. Paredões de pedras
vistos durante o percurso não possuem beleza extraordinária, não há mirantes e outros
pontos de contemplação. A vegetação de menor porte é insignificante. Não são
vistos animais, nem mesmo passarinhos, apenas algumas borboletas bem bonitas. No
entanto, a chegada à cachoeira oferece uma visão espetacular. Uma das mais
bonitas que já visitei. Além de tudo, como o percurso é bem longo, poucas
pessoas e pouco barulho, o que pra mim é uma benção.
Cachoeira da Farofa: um espetáculo |
Sempre viva planta típica da região, na trilha dos escravos |
"No meio do caminho", tinha uma orquídea |
Platôs de pedras e corredeiras na parte alta da cachoeira Véu de Noiva |
No dia seguinte, fizemos a trilha dos escravos, que dá acesso à cachoeira Véu de Noiva em sua parte alta. Essa região não está inserida na área do parque, embora seja considerada uma APA – Área de Preservação Ambiental. Diferentemente da trilha que fizemos no dia anterior, essa não é plana. A subida é pesada, para quem tem pouco preparo físico. Praticamente todo pavimentado, o caminho foi feito por escravos, séculos atrás e, segundo o que se diz na região, dava acesso à cidade de Diamantina. O percurso é lindo, possui mirantes que possibilitam uma visão bonita da serra e a vegetação é rica e variada. Logo no início já é possível visualizar com fartura, a sempre viva, planta de grande beleza, símbolo da região. As canelas de Ema, também típicas do local, estavam fora de período de floração, mas suas formas esculturais, por si só, são dignas de registro pela beleza e excentricidade. Pelo caminho encontram-se flores variadas, inclusive orquídeas típicas de solos pedregosos. O fluxo de água que forma a Cachoeira Véu de Noiva vai despencando gradativamente, num magnífico percurso, pontuado de pequenas piscinas e corredeiras, entre pedras e árvores de porte médio. Em diversos pontos pode-se tomar banho e se deliciar com as duchas naturais formadas no meio das pedras. É possível usufruir de massagens nas costas - um verdadeiro alívio para quem anda tenso e cansado. Sem contar que, para quem acredita, como eu, aquilo funciona como um verdadeiro banho de descarrego.
Deitar num platô de pedra, debaixo da sombra de uma
árvore com as raízes entrelaçadas nas rochas é uma possibilidade única de
contemplação e relaxamento, que essa aventura possibilita.
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Trilha dos Escravos |
Embora
tenha voltado desapontada com alguns aspectos do passeio, vale a pena uma
visita ao local. Para não me alongar muito por hoje, deixo para uma próxima
postagem, um resumo dos pontos positivos e negativos dessa parte que visitei do Parque Nacional
da Serra do Cipó.
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