Faleceu hoje, aos 74 anos o escritor uruguaio
Eduardo Galeano, autor do grande “As veias abertas da América Latina”, publicado
em 1971, simultaneamente, no Uruguai, no Brasil, em Cuba e no México. Censurado
por ditaduras militares em diversos países da América Latina, por sua visão realista
e contundente da exploração e dos saques históricos sofridos pela maioria dos países
latino-americanos, o livro circulou de forma clandestina, principalmente no meio
universitário,
Nessa obra, o autor faz uma releitura da
história da América Latina, colocando a nu o saque, a exploração econômica e a
crueldade do domínio europeu e, mais tarde, dos Estados Unidos, sobre o
continente, à custa de massacre da populações originárias, especialmente grupos
indígenas. Revela truques utilizados pelas grandes potências, cujos poderes
imperiais expropriam e massacram nações mais frágeis. E ainda, mostra que a sua
sorte não é produto do destino, desmistificando a história oficial e afirmando
que, como resultados da ação humana, ela pode ser mudada.
Em 2009, durante a Quinta Cúpula das Américas,
o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, presenteou Barack Obama, com um exemplar de As Veias Abertas... a partir daí, o livro que andava meio esquecido, desde o seu auge nas décadas de 1970 e 1980, revigorou-se e voltou a ser um dos mais vendidos da atualidade.
É uma besteira enorme dizer que o próprio autor
rejeitou sua obra prima, em anos recentes. Tratou-se apenas de uma constatação
óbvia, geralmente feita pela maioria dos intelectuais, de que, quarenta anos
depois, não escreveria o mesmo livro. A respeito do assunto, as palavras do
autor, ditas em entrevista concedida no Brasil, foram: “o tempo passou, comecei
a tentar outras coisas, a me aproximar mais à realidade humana em geral e em
especial à economia política – porque As Veias abertas tentou ser um livro de
economia política, só que eu ainda não tinha a formação necessária. Não estou
arrependido de tê-lo escrito, mas é uma etapa superada”.
Ao ser perguntado por que a esquerda não deu certo
na América Latina, Galeano expressou com a clareza e a lucidez
![]() |
Desenho de Elson Rezende |
que lhe eram
peculiares: “Algumas vezes deu certo, outras não. A realidade é mutável, a
realidade política e todas as outras – por sorte. Senão seríamos estátuas,
estaríamos congelados no tempo. Não é verdade que a esquerda não deu certo. Deu
certo e muitas vezes foi demolida... foi punida. Punida pelos golpes de Estado,
ditaduras militares.... crimes horrorosos, cometidos em nome da paz social e do
progresso”.
Amante do futebol, “sou muito futeboleiro, um
religioso da bola...”, ironizava a pretensão de alguns em transformar o futebol
em pura técnica, tirando-lhe o aspecto de arte. “O melhor que o futebol tem como
esporte - a festa que o futebol é, a festa das pernas que jogam, a festa dos
olhos – é a capacidade de surpresa, de assombro... ninguém sabe o que vai
acontecer... menos ainda os especialistas... doutores do futebol são seres
terríveis...”.
Autor de dezenas de livros, além do mais
consagrado As veias abertas..., escreveu, entre outros, a trilogia Memória do
Fogo, O livro dos abraços e, claro, O futebol de sol a sombra.
É clichê dizer isso, mas, não encontro outra
forma de expressar a tristeza pela notícia: hoje o mundo ficou mais pobre.
Fontes:
http://socialistamorena.com.br/galeano-eu-nao-seria-capaz-de-ler-de-novo-as-veias-abertas-cairia-desmaiado/
“Só nos falta saber porque os pobres são pobres?...Será porque a nudez deles nos vestem e a fome deles nos alimenta?...” (Eduardo Galeano)
ResponderExcluirnos veste*
ResponderExcluirGostei, obrigado por fomentar a leitura do Veias abertas... Boa viagem para mim!
ResponderExcluir