sábado, 23 de fevereiro de 2013

SOLUÇÕES RÁPIDAS PARA O JARDIM


Cuidar do jardim e vê-lo florido, que coisa boa! Recentemente fiz uma pequena reforma na casa e o meu canteiro de hortênsias acabou  sendo prejudicado. Fiz uma poda radical, mas não queria ficar vendo o canteiro pelado enquanto elas não brotassem. Como esse  canteiro é pequeno e fica isolado do restante do jardim que é todo no estilo tropical, costumo fazer experiências com ele, testando espécies diferentes, mas sempre com único tipo de planta. Assim, já tive  russélias, (que ficaram lindas, mas acabaram crescendo além do que eu pretendia), azevinhas (que são bonitas, mas seus espinhos acabam me machucando na hora de cuidar).
Ultimamente vinha mantendo as hortênsias, que são flores românticas e fáceis de cultivar. Adaptaram-se bem aqui, que é alto e bastante frio. Mas precisava  dar uma melhorada no canteiro já. Geralmente tenho um pouco de preguiça com as espécies que não são perenes, pois exigem trocas permanentes e acabam dando bastante trabalho. No entanto, dessa vez, resolvi experimentar as petúnias. 
Meu canteiro de petúnias
Preparei o terreno, afofando-o e acrescentando húmus de minhoca, um pouco de areia de rio e algumas colheres de torta de mamona. Fiz pequenos sulcos e semeei as petúnias, cobrindo as sementes. Como choveu bem nessa época do ano, reguei apenas quando ficava seco. Valeu a pena, pois, em apenas dois meses o canteiro está esplêndido. Se eu tivesse optado pelo replante de mudas prontas, certamente o prazo seria ainda menor.
Sei que as petúnias duram pouco, mas são pouco vigorosas e não vão atrapalhar as brotações das hortênsias, que já se recuperam. Creio em junho, ou julho que vão estar totalmente recuperados, e as petúnias já terão cumprido o seu papel.
Gerânios são ótimas opções para canteiros floridos
Outra opção que recomendo são os gerânios (popularmente chamados de jardineiras). São lindos, têm floração farta, diversas opções de cores e costumam ser bastante resistentes. Além disso, se replantados a partir de mudas já prontas e facilmente encontradas nas floriculturas, florescem rapidamente e exigem poucos cuidados.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

TRABALHO E QUALIDADE DE VIDA


     Já abordei o tema da qualidade de vida no trabalho aqui no blog. Na oportunidade mostrei um teste que auxiliava na sua avaliação, a partir de um modelo proposto por Hair*. Agora volto ao assunto, discutindo-o sob a perspectiva da abordagem de Walton**.  Um modelo, como se sabe, é uma tentativa de aproximação da realidade, sendo que, geralmente apresenta alguma limitação ao explicar determinado fato ou fenômeno. Já foi dito que os modelos são frágeis, porque a realidade é escorregadia e raramente se esquadra plenamente dentro dos modelos que tentam explicá-la. Principalmente a realidade social que, muito mais que os fenômenos físicos, é altamente complexa e dinâmica.
      Assim, falar sobre qualidade de vida é quase tão perigoso, quanto tentar definir felicidade. Muitas vezes se comete o deslize de deixar de  lado as diferenças pessoais, mencionar o óbvio, cair na mesmice e resvalar para aspectos  difíceis de serem esclarecidos. Tudo isso por causa das várias nuances e perspectivas sob as quais o tema pode ser abordado. Falar sobre qualidade de vida no trabalho (QVT) também não é algo simples, no entanto já temos alguns estudos e pesquisas que contribuem para lançar luzes sobre o tema.
O trabalho de Walton** apresenta um  modelo bastante abrangente de QVT, conforme mostrado a seguir:
Item
Aspecto
Abrangência do Aspecto
1
Compensação justa e adequada.
Equidade salarial interna e externa; justiça na compensação; patilha de ganhos de produtividade; justiça na relação incentivos x contribuições.
2
Condições de trabalho seguras e salutares.
Ambiente físico e psicológico seguro e saudável; ausência de ameaças e perigos iminentes.
3
Oportunidade de utilizar e desenvolver a capacidade humana e a autonomia.
Uso e desenvolvimento de capacidades e qualidades múltiplas; informações sobre o processo total de trabalho; possibilidade de autocontrole e autonomia.
4
Oportunidade para crescimento e desenvolvimento.
Carreira; perspectivas e possibilidades de desenvolvimento e crescimento pessoal.
5
Integração social na organização do trabalho; respeito ao ser humano e valorização.
Ausência de preconceitos, igualdade, mobilidade, relacionamentos e senso comunitário.
6
Constitucionalismo na organização do trabalho.
Direitos do trabalhador; aspectos legais;  tratamento imparcial; liberdade de expressão.
7
Espaço do trabalho dentro da vida.
Equilíbrio entre o papel do trabalho e outros aspectos da vida do trabalhador. Tempo de lazer e família; poucas mudanças geográficas.
8
Relevância social do trabalho.
Imagem da organização e responsabilidade social; capacidade de realização que o trabalho promove; importância social do trabalho.






























 Existem vários outros modelos desenvolvidos academicamente para tentar estabelecer os aspectos relevantes para a qualidade de vida no trabalho e dimensiona-los. Como esse não é um artigo acadêmico, vamos nos ater ao modelo de Walton, que, por si só já apresenta uma relação bastante abrangente de pontos a serem considerados ao se analisar a qualidade de vida no trabalho.
A partir desse conjunto de aspectos e, refletindo-se sobre cada um deles, é possível dimensionar se um trabalho, e as condições mediante as quais é exercido, promovem a qualidade de vida do trabalhador ou, se, ao contrário, torna-a precária, contribuindo para a instalação de doenças.
Orientei, recentemente,  um trabalho de conclusão de curso que teve como tema a  qualidade de vida e o estresse ocupacional entre profissionais  de saúde no município de Viçosa. Os resultados foram preocupantes. Descobrimos, por exemplo, que 32,65%,  dos empregados em saúde no município possuem dois vínculos funcionais, ou dupla atividade empregatícia.   Isso se dá geralmente em função dos baixos salários praticados pelos hospitais e outras instituições de saúde, enquadrando-se justamente no primeiro aspecto do modelo de Walton. O segundo aspecto aborda as condições de segurança, o ambiente físico e psicológico, incluindo a ausência de ameaças à integridade do trabalhador. Observamos que o significativo contingente de 32,65%  dos trabalhadores que participaram da pesquisa, estiveram, por algum período, afastados de suas atividades profissionais, nos últimos doze meses e que era elevado o percentual de  doenças relacionadas ao estresse ocupacional.  
Embora se saiba que entre os trabalhadores da saúde, condições adversas podem provocar danos irreversíveis à vida dos usuários dos serviços, é possível supor que tais condições de trabalho não sejam muito diferentes das de outras categorias profissionais. Tudo indica que isso ocorre primeiramente porque vivemos em uma região onde a oferta de postos de trabalho não é grande. Depois porque, muitas vezes tanto trabalhadores, quando supervisores e gerências intermediárias são pouco qualificados, possuem a autoestima bastante baixa e não são encorajados a mudar a situação.
Como vemos no modelo, aspectos como oportunidade de crescimento e a integração social que o trabalho promove também são temas consideráveis. O equilíbrio entre o trabalho e outros aspectos da vida do trabalhador, como tempo de lazer, por exemplo é também dimensão a ser avaliada, pois o trabalho não pode, por si somente, suprir todos  as dimensões de uma vida que se deseja plena.
A relevância social do trabalho desponta, mesmo que em último lugar, como aspecto a ser considerado na qualidade de vida no trabalho. Certamente nesse quesito, os trabalhadores de saúde, assim como os da educação, por exemplo, saem na frente, pois o seu trabalho lhes confere a possibilidade de sentirem-se úteis à sociedade, o que não é algo desprezível. No entanto, por mais idealista que seja uma pessoa, condições materiais, principalmente numa sociedade consumista como a nossa, não podem ficar de fora, ao se avaliar a qualidade de vida no trabalho.
Enfim, esse é um tema muito abrangente,  que instiga e provoca angústias em profissionais da área de gestão de pessoas, muitos deles idealistas, mas pressionados por resultados, situação corrente no mundo organizacional. Observamos muitas vezes que o trabalho, enquanto realizador da capacidade humana, oportunidade para crescimento e desenvolvimento, integração e relevância social, ainda é, em grande parte das vezes, uma utopia.
* HAIR, Jr, Joseph F..  Fundamentos de Métodos de Pesquisa em Administração. Trad.  Lene Belon Ribeiro. Porto Algre: Bookmanm 2005
** WALTON, Richard E. Quality of Working Life: What is it? Sloan Management Review, 15, 1, pp. 11-21, 1973. 






segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

CARNAVAL


Feriados até pra quem trabalha pouco, como é o meu caso, são sempre deliciosos. E são bons, não somente porque não precisamos trabalhar, mas principalmente porque podemos fazer o que mais gostamos, como viajar, acordar tarde e outras coisas a toa, como  passar o dia de pijama. Este ano aproveitei os longos dias de preguiça pra enfeitar a casa. No verão as plantas tropicais ficam exuberantes. Inspirada no carnaval experimentei uma mistura inusitada, coloquei num recipiente verde, alpíneas vermelhas com dois galhos de cordiline. Achei que ficou bacana, com a cara da festa do momo.

Para a mesa da sala de jantar, utilizei uma espécie de flor que ainda não é comum: o sorvetão. Também chamado popularmente de  gengibre magnífico, ele é novidade até para os iniciados, e tem causado furor entre  floristas e decoradores. Não é pra menos, o sorvetão é um espetáculo. Amarelo com nuances de vermelho, formado por pétalas superpostas de onde emergem pequenas flores arroxeadas, ele é bastante resistente e presta-se a diversas composições com folhagens variadas. Optei por utilizar apenas poucas folhas de papiro chinês e fiapos de aspargos. Coloquei-os numa jarra transparente de boca larga e isso foi o suficiente para conseguir um efeito sensacional.
Lidar com flores é uma delícia e ver a casa florida não tem preço. Especialmente quando vamos passar alguns dias de folga. Beijos e bom carnaval para todos.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

PLANTAS E SUPERSTIÇÕES

Sou uma apaixonada por plantas. Cultivo meu jardim há anos e, quando me pedem, dou pitaco no  dos outros. Toda a minha família, de alguma forma, relaciona-se com plantas, seja profissionalmente ou por hobby. Tenho  irmã que é paisagista, cunhada que é proprietária de floricultura e outra que era produtora de plantas ornamentais. Essa paixão começou com a minha mãe que nos legou esse gosto. Como somos uma família de pessoas bastante estudiosas, todos acabam se interessando pelo assunto, lemos frequentemente sobre o tema, cultivamos uma curiosidade permanente e observamos bastante.  Acabamos aprendendo algumas coisas.  
Um aspecto interessante que observamos é a superstição com as plantas. Algumas crenças costumam ser tão fortes, que se transformam numa verdadeira profissão de fé. Assim alguns fazem questão de cultivar uma ou outra espécie, acreditando que pode fazer bem tê-la em casa. 
No comércio, por exemplo, nas cidades do interior, é comum encontrarmos na porta, um vaso com sete ervas, entre elas,  quase sempre um pé de arruda, um de guiné, um lança de São Jorge, um comigo ninguém pode  e outras de que não me lembro. Acredita-se que elas sejam capazes de proteger contra a inveja e o mau olhado.  
Algumas plantas por sua vez, são amaldiçoadas. Certa vez uma vizinha interpelou a minha mãe dizendo: - Não é bom ter avencas em casa, pois elas trazem  má sorte e desgraça. Mas minha mãe que era uma louca pelas avencas e, além de tudo muito religiosa, deu de ombros e tentou argumentar com a vizinha que isso era uma bobagem. Não sei se a convenceu.
Particularmente sei que não há comprovação alguma a respeito dessas crendices, que aliás variam de uma região para outra. No entanto, desde que soube da crença que cultivar um pé de romã é bom pra trazer fartura e dinheiro, cuidei logo de plantar um bem na entrada de minha casa. Minha filha que é estudante de biologia (e uma debochada) logo disse: - Mas mãe como pode um pé de romã trazer riqueza se a gente só vê isso em casa de pobre? Tem razão a danadinha. Não me lembro de ter visto casa de milionário com uma romãzeira no jardim. 
Meu pé de romã está especialmente bonito nesse início de 2013.

Por via das dúvidas, mantenho a minha romãzeira com todo o cuidado. Além do mais é um arbusto lindo com florada alaranjada e frutos vermelhos quase todo o tempo. Esse ano, meu pé de romã está especialmente bonito. Se valer a crença vai ser um ano de muita fartura e dinheiro. Bom que seja mesmo, mas que seja  principalmente de muita saúde, amor, paz e amigos, essas sim, as melhores coisas da vida. 


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

TREINAMENTO, CAPACITAÇÃO E PLENO EMPREGO



Estimativas da FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) indicam que a taxa de desemprego no Brasil, em dezembro último,  caiu mais uma vez, atingindo o percentual de 4,4%, contra 5,2% do mês anterior.  
Desemprego em torno de quatro por cento é quase pleno emprego. Não era sem tempo! Desde que me entendo por gente, jamais havia convivido com índices tão elevados de ocupação da mão de obra em nosso país. É muito bom saber que há trabalho disponível para todos que o queiram.Como já disse por aqui, o trabalho é uma dimensão importante na vida das pessoas.
Nesse contexto, as organizações estão sendo compelidas a repensar suas políticas de recursos humanos, visando atrair pessoal qualificado e mantê-los em seus quadros. Treinamento e desenvolvimento passam a fazer parte da rotina das instituições, pois trabalhador qualificado está virando artigo raro.
Houve um tempo em que se dizia que as organizações precisavam treinar, porque as escolas não preparavam os profissionais para o trabalho. Ou que havia uma defasagem entre o profissional que as empresas procuravam e os que as escolas formavam. Trata-se de uma afirmativa no mínimo discutível. Em primeiro lugar porque as escolas não têm o compromisso de formar profissionais ou trabalhadores para atuarem nessa ou naquela organização. Escola tem que formar para a vida, priorizando o desenvolvimento de competências essenciais: leitura e interpretação de textos e raciocínio lógico matemático. Considero também  salutar, que as escolas estimulem a criatividade, a inventividade e desenvolvam o senso crítico. Tudo o mais são habilidades complementares.
Mesmo para as escolas técnicas fica difícil adaptar seus programas a exigências do mercado de trabalho. O papel da escola é muito mais abrangente, envolvendo formação no inteiro sentido da palavra e não apenas capacitação para o trabalho. O papel de treinar cabe melhor às organizações que, com sua política de desenvolvimento de recursos humanos, orientam suas ações para adaptação das pessoas às suas tarefas e atividades específicas, com programas de capacitação e treinamento.
Esse momento é muito oportuno para refletir sobre esse tema. Se antes, quando havia mão de obra farta e disponível tal necessidade já existia, agora muito mais.
Constato com bastante alegria esse movimento favorável aos empregados. Antes era comum ouvir de patrões e “chefes”: “quer sair? A porta da rua é a serventia da casa. Logo teremos uma fila tentando ocupar a sua vaga”. Felizmente já não é mais assim. Várias organizações estão tendo dificuldades para repor e ampliar o quadro de pessoal. Diante dessa nova realidade, capacitar é praticamente uma exigência, já que inexistem profissionais prontos disponíveis para o trabalho.
 Além disso, tem havido uma grande movimento entre profissões. Recentemente soube que, aqui em nossa região, hospitais estão perdendo técnicos em enfermagem, para a construção civil. Remunerações oferecidas a eletricistas e bombeiros estão bastante mais atraentes, além da vantagem de horários regulares e fins de semana garantidos.
Em situação de pleno emprego, não basta treinar. É preciso instituir uma política de desenvolvimento e capacitação de recursos humanos que deve estar atrelada, ou melhor, que deve fazer parte do planejamento estratégico da organização.
Nunca é demais repetir que o primeiro passo é a elaboração do diagnóstico organizacional. Somente após serem identificadas as necessidades é que se deve dar inicio ao planejamento dos programas de treinamento e capacitação. As fases ou etapas são as seguintes:
- Diagnóstico, ou levantamento de necessidades de treinamento e capacitação;
- Elaboração de programas e projetos de capacitação;
- Implementação e, ou execução dos programas;
- Avaliação da eficácia dos programas.
Seguindo as etapas, fica muito mais fácil assegurar-se de que as ações estejam sendo direcionadas à resolução dos problemas de inadequação de mão de obra, identificados no diagnóstico. O desenho e a concepção dos programas devem, logicamente, privilegiar o desenvolvimento de capacidades e habilidades necessárias ao exercício das atribuições dos cargos. Se os programas forem bem executados é bastante provável que a avaliação aponte melhorias de desempenho e adequação.
Estudos indicam que, quando planejados adequadamente, investimentos em treinamento e capacitação costumam proporcionar retornos rápidos e elevados. Mas não adianta, somente para ficar “na onda”, sair treinando sem planejamento. Nesses casos, quando as ações são isoladas e pontuais, fica difícil avaliar se os investimentos tiveram retorno, pois se não se estabelecem padrões de desempenho, não há como medir e mensurar a eficácia de programas e projetos de capacitação.