sábado, 23 de junho de 2012

A DIFÍCIL E DELICADA ARTE DE GESTÃO DE PESSOAS

Gestão de Pessoas é técnica, ciência ou arte? Mesmo sem abrir mão de todas as dimensões da administração, essa área continua sendo o maior desafio organizacional desses nossos tempos tão conturbados. Quer saber um pouco mais sobre esse tema tão atual? Leia  em: http://www.mariaidasaudade.blogspot.com.br/p/fora-de-brincadeira.html

terça-feira, 12 de junho de 2012

Fernando Pessoa

Dia 13 de junho de 1888 nascia em Portugal Fernando Antonio Nogueira Pessoa. Poeta maior da nossa língua  deixou extensa obra escrita não somente em seu próprio nome, mas também no de heterônimos, entre eles Álvaro de Campos, autor do poema a seguir, além de Alberto Caeiro, Ricardo Reis e outros.


LISBON REVISITED

Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafisica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) ­
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!

Ó céu azul ­ o mesmo da minha infância ­,
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!

Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

(Fernando Pessoa como Álvaro de Campos, 1923).

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Jardim Tropical

Depois de período sem tempo de pegar a máquina fotográfica e sair por ai, a florada dos cimbídios praticamente me obrigou a vencer a preguiça.

Veja mais fotos de jardins tropicais em:http://www.mariaidasaudade.blogspot.com.br/p/flores-do-campus.html

terça-feira, 5 de junho de 2012

TRABALHO

Tenho descoberto cada vez mais encantada, como é rico o tema dos sentidos e significados do trabalho. É muito interessante ler e pesquisar sobre este assunto. Desde a graduação ouvia o grande (literal e metaforicamente) professor Tancredo Almada Cruz, mestre de pelo menos duas gerações, mencionar os estudos de Friedrich Engels. Confesso, no entanto, que somente alguns anos depois, incentivada por uma fala de Aguinaldo Pacheco em uma das campanhas salariais da UFV, cujo lema era “Sem os braços a cabeça não faz”, fui descobrir esse magnífico texto de Engels intitulado: Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem. Escrito por volta de 1876 e publicado pela primeira vez em 1895, o texto inacabado, visava ser a introdução de um trabalho maior que, para a nossa tristeza, Engels não conseguiu terminar. Nem mesmo essa introdução foi concluída, como se pode observar pela brusca interrupção ao final. Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem acabou sendo publicado como  livro. Encontra-se disponível na internet, no seguinte link:
http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/macaco.pdf

Vale a pena ler. Se você supõe, assim como eu, antes de buscá-lo, que pode tratar-se de um texto denso, longo e de leitura difícil, afirmo que não. Ao contrário, trata-se de um texto pequeno, de leitura fácil e extremamente agradável. Somente para animá-los ainda mais, vejam as linhas introdutórias: “O trabalho é fonte de toda a riqueza, afirmam os economistas. Assim é, com efeito ao lado da natureza encarregada de fornecer os materiais que ele converte em riqueza. O trabalho, porém é muitíssimo mais do que isso.É a condição básica e fundamental de toda a vida humana. E em tal grau que, até certo ponto, podemos afirmar que o trabalho criou o próprio homem.” (FRIEDRICH ENGELS, 1999) .
Um recado especial aos meus alunos, muitos dos quais prestigiam este blog. Assim como a maioria pensou que Imagens da Organização, de Gareth Morgan, fosse um livro difícil e acabaram gostando muito, acredito que o mesmo poderá acontecer com a leitura que acabo de sugerir.
Você poderá gostar também de:
O direito à preguiça, de Paul Lafarge
O elogio ao ócio, de Bertrand Russel
O trabalho e seus sentidos, de Ricardo Antunes, este último disponível em:
http://www.itcp.usp.br/drupal/files/itcp.usp.br/ANTUNES%20TRAB%20SENTIDOS%20LUIZINHO.pdf

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Auto Ajuda

Há bastante tempo leio jornal, pelo menos aos domingos. Mais que um prazer, é uma necessidade. Ao contrário da maioria dos brasileiros, não tenho paixão por futebol, nem pelos esportes de maneira geral. Pois de uns tempos pra cá, passei a ler com assiduidade uma coluna do caderno de esportes. Descobri uma preciosidade: nosso craque Tostão, que além de ter sido um dos grandes jogadores do Cruzeiro e da Seleção brasileira é médico e, embora recuse o rótulo, é também um filósofo, escreve uma coluna semanal no caderno de esportes do jornal que tenho hábito de ler. Ontem ele nos brindou com mais uma de suas crônicas memoráveis, que exala modéstia e sabedoria. Tá escrito lá: “Tento fugir dos lugares-comuns e, muitas vezes, não consigo. A vida, em sua maior parte, é um lugar comum. Acabo de escrever mais um. Todos somos repetidores. Só os gênios são originais. E eles são cada dia mais raros. Há anos, critico as óbvias e ridículas palestras de autoajuda, motivadoras, tão freqüentes na sociedade e no futebol. Um time forte emocionalmente se forma aos poucos, nas conversas diárias, individuais e coletivas, nos olhares sinceros e no silêncio. Não com palestras de motivação.” (Caderno Esporte. Folha de São Paulo. 27-05-2012. p. 3). Não somente compartilho a opinião do craque sobre as palestras de auto-ajuda, como estendo minha desconfiança também dos livros que se enquadram nessa categoria. O descrédito que Tostão manifesta, relativamente às palestras de auto-ajuda para jogadores de futebol, tenho expressado, para os meus alunos e para dirigentes, gerentes e empresários com os quais tenho oportunidade de conversar, em relação às organizações. Veja em SEM BRINCADEIRA , mais detalhes sobre as razões segundo as quais não acredito nessa conversa.