segunda-feira, 25 de abril de 2016

Caros amigos, preciso justificar a prolongada ausência aqui no blog. Problema comum aqui em Viçosa e, acredito, em grande parte do país. Conexão à Internet e demora da operadora em resolver o problema. Confesso que estou exausta com isso, mas é grande o amor pelo blog  e cá estou eu de novo a falar sobre política. Neste mês tem sido difícil deixar o assunto. O que está em jogo é muito importante para que o deixemos de lado. Até mesmo entre os que não são tão envolvidos politicamente, como é o meu caso.
Desde o dia 21 deste mês, quando o ex-presidente do Uruguay, José Alberto Mujica Cordano, mais conhecido como Pepe Mujica, recebeu a Medalha dos Inconfidentes em Ouro Preto, estou tentando reproduzir o emocionante discurso feito na ocasião, por aquele que, a meu ver, é um dos maiores líderes da atualidade.
Desculpo-me pelo atraso, mas ainda acho oportuno. Suas palavras merecem ser conhecidas. Vindas de um homem com mais de oitenta anos de idade e que esteve preso durante três décadas, soam ainda mais contundentes, por representar um apelo de ânimo e de esperança, nesses tempos tão difíceis.


Mineiros e mineiras, a vida me ensinou algumas coisas. Os únicos derrotados são os que deixam de lutar. Mas vocês têm de saber que não há um prêmio no final do caminho. O prêmio é o caminho mesmo, é o andar mesmo. Nossa luta é muito velha. São falsos os términos. Esquerda e direita são inventos da Revolução Francesa. Na realidade, são caras permanentes da condição humana, como as caras de uma moeda, e fluem e refluem permanentemente na história. E penso que talvez seja uma luta eterna com fluxos e refluxos, com pontos de partida, com quedas e voltar-se a levantar. Há que se aprender que, na vida, as causas nobres necessitam de coragem sempre para voltar e começar. Eu sou do sul, venho do sul e represento o sul, os eternos esquecidos do planeta. Ser do sul não é uma posição geográfica, é um resultado histórico. E venho ao Brasil, tenho cultivado amigos no Brasil, porque a América será livre com a Amazônia ou não será. Porque é enorme o conhecimento e ciência que nos tiraram o mundo central. Porque perdemos nossos melhores filhos, porque lhes pagam melhores salários no mundo central, porque estamos entrando em uma outra era, globalizada, de comunicações, onde a fronteira é mais de negócio do que de amparo e justiça aos povos. E todos sabemos que a democracia nunca será perfeita, e não pode ser, porque é uma construção humana e os seres humanos não são deuses. Não. Por isso, porque somos diferentes, porque nascemos em lugares diferentes, porque pertencemos a classes diferentes, porque geneticamente temos matizes em nossos programas. Porque nossa história pessoal nos dá ou nos tira pelo que foi. Os homens são semelhantes, mas cada um é particular, diferente, e como não somos perfeitos, a sociedade tem e terá sempre conflitos. Não podemos viver sozinhos, somos sociais. Ninguém pode viver sozinho. Precisamos de um cardiologista, de um mecânico, de um professor para nosso filho. Precisamos de alguém que dirija o ônibus, de alguém que nos ampare na vida, de uma parteira quando nascemos e de alguém quando morremos. Porque somos sociais e temos defeitos, porque somos diferentes, há conflitos. Por isso, precisamos da política. Tem razão Aristóteles: o homem é um animal político, porque a função da política não é gerar corrupção e acomodar gente. A função da política é colocar limite à dor e à injustiça. A função da política é lutar por um mundo melhor e também buscar permanentemente as inevitáveis diferenças. A função da política não é aplastar. A função da política é negociar as inevitáveis diferenças que se apresentam na sociedade. Por que insisto nesse ponto? Porque o pior resultado que se pode ter para as novas gerações é o conflito que se está vivendo no Brasil, e que pode fazer com que muitos jovens cheguem à conclusão de que a política não serve para nada, e são todos iguais. E caso essa juventude se recolha e que cada um for cuidar apenas de si, é o mesmo que construir a selva. Todos contra todos. Há que salvar a política. Há que dar estatura à política, e isso não é um problema de partido, é um problema do Brasil. Pior que as derrotas é o desencanto. Viver é construir esperanças, esperanças de um mundo melhor. O que seria da vida sem sonho, sem esperança, sem utopia, sem alegria de viver, o que seria da nossa existência? Um negócio calculado, uma mercadoria que se compra e que se vende. Não, a espécie humana é outra coisa, é contraditória, mas tem sentido e tem sentimento. Se você tem um casal de filhos de três ou quatro anos e leva um jogo só para um, verá que você tem um problema. Porque o outro sente que você não o tratou com igualdade. Porque, companheiros, a igualdade a gente tem dentro de nós, antropologicamente. Não se toma a igualdade como desejo de ser tudo igualzinho, como tijolo, todos alinhados. O sentimento de igualdade é ter o direito às mesmas oportunidades na vida, e quanto nos falta, latino-americanos, para poder dar oportunidade aos milhões que ficam à margem do caminho da nossa pobre América! Com minha companheira, estivemos 30 anos presos, mas a vida nos deu o prêmio de viver e nada é mais bonito que a vida. Mas, sobretudo os jovens devem saber: há que se cuidar da vida, há que semeá-la, há que colocá-la a serviço de uma causa nobre. Aprendam a viver, e tem de trabalhar para viver, porque senão viverás às custas dos outros. A vida não é só trabalhar. Tem de assegurar tempo para viver, amor, filhos, para os amigos, que nesta vida não é felicidade acumular dinheiro. O problema é acumular carinho e servir para algo. A diferença é como vemos a vida, se a vida é só egoísmo ou a vida é também solidariedade, “hoje por mim, amanhã por você”. Mineiros, o Brasil é muito grande, muito forte, mas tem muitas feridas. Há que defendê-lo, mas há que se entender que já não estamos no século passado e o desafio é outro.”



quinta-feira, 31 de março de 2016

31 de Março – Esse é um Dia para Lembrar da História de Geraldo Vandré

Com o magnífico refrão que virou hino de milhares de pessoas que sonhavam e lutavam por um Brasil melhor, especialmente menos injusto, Geraldo Vandré fez a cabeça de milhões de brasileiros durante a ditadura.

“Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer” (Geraldo Vandré em ‘Para não dizer que não falei das Flores/Caminhando’).

Naquele tempo, o que se produzia de melhor em música, geralmente era divulgado nos Festivais da Canção que mobilizavam torcidas e despertavam paixões em grande parte da juventude. Chico Buarque e Gilberto Gil, assim como Geraldo Vandré, estiveram presentes e projetaram suas carreiras em diversos desses eventos.

Gil, Chico e Caetano foram exilados, mas Geraldo Vandré foi preso e torturado. Suas músicas foram proibidas e eram ouvidas e cantadas apenas na surdina (não consigo dizer em surdina, ou à surdina, como sugere o Word).
Brutalmente maltratado e submetido a processos de lavagem cerebral intensos, Vandré teria se tornado uma pessoa apática e improdutiva, de acordo com a lenda que corre a respeito desse bravo e talentoso brasileiro.
Esse dia de hoje, 31 de março de 2016, é dia de luta e resistência. Devemos estar atentos e informados sobre essa articulada e poderosa tentativa de retrocesso, contra os ainda pequenos avanços nos direitos sociais no Brasil.
É dia de homenagear Geraldo Vandré e todos os brasileiros que foram perseguidos e maltratados (como a presidente Dilma Rousseff) porque defendiam a democracia, liberdade de imprensa e outros direitos fundamentais. Especialmente aqueles que deram a vida lutando por um país mais justo e igualitário e que ofereça oportunidades a todos os seus filhos, distribuindo melhor suas inúmeras riquezas.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Exposição de Estandartes

Como tenho contado, ando compondo estandartes. O que começou como uma simples brincadeira, acabou se tornando algo importante para mim. Em junho de 2013, resolvi fazer panôs de Santo Antônio, São João e São Pedro, para decorar a festa junina de minha casa. Foi uma experiência interessante. Reencontrei com minha infância, em família de costureiras e bordadeiras, no meio de tecidos, retalhos, rendas e fitas. 
Logo depois a UFV - Universidade Federal de Viçosa, lançou mais uma edição de Seu Salão Universitário de Expressão e Criatividade (SUEC). Inscrevi os meus santos juninos e eles acabaram sendo premiados. Isso animou-me a compor outros e agora, com um acervo de mais de 20 (vinte) peças, estou tendo a oportunidade de expô-los no Museu Casa dos Inconfidentes na cidade de Oouro Preto.
O convite
Não haveria lugar melhor para mostrar meus santinhos. Nossa querida Ouro Preto transpira arte e religiosidade por todos os cantos.
Minhas peças não são exatamente bordados. Classifico-as como "composições com retalhos", apesar de não serem feitas apenas com tecidos. Na sua elaboração, utilizo imagens dos santos impressas e os mais variados tipos de aviamentos. Trabalho também com pedras e bijuterias e ouso dar alguns pontos de bordados, embora a maior parte deles classifico como simples alinhavos. 


 
São Benedito, escravo liberto por seus talentos como
cozinheiro, padroeiro dos que amam a cozin
Em meus trabalhos não uso cola, pois essa resseca com o tempo deixando as peças com uma durabilidade muito pequena. Todos são costurados a mão e possuem acabamentos alinhados com a história do santo retratado na peça.
Costumo dizer que não sou bordadeira, mas sim uma contadora de histórias. É o que tento fazer em cada trabalho. Relatar a história de cada um dos santos, por intermédio do estandartes. 

Abaixo, Santa Bárbara, Santa Luzia e Salve Rainha.

terça-feira, 22 de março de 2016

Um pouco de Política e História: o Momento pede

Olá amigos,
Quando me dispus a criar e manter o blog, deixei claro que provavelmente não trataria de política aqui neste espaço que tem outros objetivos. No entanto, a política faz parte do nosso dia a dia, ficando difícil a gente se manter omisso, principalmente em momentos tão cruciais como o que estamos vivendo.
Todavia, não sendo essa   a "minha praia" habitual,  prefiro ceder este espaço para dar voz a pessoas reconhecidamente credenciadas a falar sobre o assunto. É o caso do prof. Tancredo Almada Cruz, economista brilhante e mestre de gerações de pessoas espalhadas por esse Brasil. Para minha alegria, gozo do convívio desse grande educador e humanista admirável, que continua, mesmo décadas depois de eu ter concluído a graduação,  sendo meu grande mestre. Publico  com muita gratidão, texto de sua autoria, escrito especialmente para o Maria da Saudade.

 EU NÃO ACREDITO
                                    Tancredo Almada Cruz
                                   <tancredo@ufv.br>

    Corruptos e corruptores  são  atores  presentes  em  todas  as
sociedades em que as pessoas são valorizadas mais pelo que possuem
do que pelo que realmente são. Isso não significa que estes crimes
devem ser banalizados e deixados impunes.
     Tampouco, o seu combate não pode ser usado como bandeiras  de
disputas políticas. Geralmente, quando a  bandeira  da  moralidade
substitui os  argumentos  políticos  na  disputa  pelo  poder,  os
resultados são danosos. Foi o que ocorreu com  Vargas  que  morreu
num "mar de lamas"; com JK que deixou o governo como o maior ladrão
do País; com Jango cujas denúncias de corrupto justificaram o golpe
militar, em 64; e, mais recentemente, foi com a bandeira de caçador
de  marajás  que  Collor,  um  político  inexpressivo,   elegeu-se
presidente da república.

    Em todos esses  fatos  existiu  a  participação  direta  e  ou
indireta do governo norte-americano,  como  pode  ser  demonstrado
pelo que segue: 

1. Recentemente, o serviço de inteligência dos EUA
espionou o governo  e  empresas  estatais  brasileiras,  inclusive
grampeando os telefones da Presidenta Dilma.Este fato , denunciado
pelo  agente  americano  Snowden,  evidencia  a  preocupação   que
Washington tem com as ações políticas do Brasil.

2. A  decisão  soberana  do  governo  brasileiro  de  só  adquirir
equipamentos  militares  com  transferência  de  tecnologia    que
resultou na compra de aviões suecos, desagradou os americanos.

3. A operação italiana, MÃOS LIMPAS, modelo  inspirador  do  juiz
Moro, foi orquestrada pela embaixada americana  em  Roma,  com  o
objetivo de deslegitimizar os políticos, sobretudo os  do  partido
do líder popular Bettino Craxe, para colocar no poder o empresário
das comunicações, Berluscone, alinhado à  política  dos  EUA  (como
narra Paulo Moreira Leite em seu livro A Outra  História  da  Lava
Jato). A deslegitimação da política  explica  a  conduta  midiática
espetaculosa e seletiva da Lava Jato, direcionada ao PT e a Lula.

4. A Petrobras, empresa detentora  de  tecnologia  avançada  e  de
imensas reservas, é alvo da cobiça  internacional,  principalmente,
depois que Lula foi  empossado,  em  2003.  Naquela  oportunidade,
interrompeu-se o processo de privatização arquitetado pelo governo
FHC, e foi colocado em curso um amplo programa de investimentos na
indústria petrolífera, produzindo  efeitos  em  cadeia  sobre  os
demais setores da economia.  Desse  modo, foi  possível  crescer,
ininterruptamente, por 12  anos,  ampliando  o  nível  de  emprego
enquanto o mundo se ressentia de  enorme  crise.  Apesar  disso, na
semana passada, o Senado aprovou projeto que retira  a  prioridade
da Petrobras na exploração do pré-sal,  beneficiando  as  empresas
estrangeiras.

5. O governo norte-americano,  em  várias  oportunidades,  tem  se
manifestado contrario a governos progressistas da América  Latina,
inclusive interferindo em seus assuntos internos. Está em curso um
processo de recolonização que apoia golpes de  estado  nos  países
que buscam atuar soberanamente. Isto  ocorreu  nos  anos  sessenta
quando ditaduras foram instaladas em  quase  todos  os  países  do
continente, incluindo o Brasil (veja  o  documentário) O  DIA  QUE
DUROU 21 ANOS.

6. A guerra da Ucrânia teve  seu  início  com  denúncias  de  atos
corruptos do  presidente  constitucional  que  foi  deposto  pelas
armas. Contudo, restou evidente o interesse  estratégico  militar
dos EUA e da Rússia na região.

    Fica, portanto, difícil acreditar que  a  verdadeira  razão  da
chamada "crise política" brasileira seja  motivada,  apenas,  pela
existência de corrupção nos governos e fora deles. Também, é  difícil
crer que pessoas instruídas saiam às ruas, como "massa de manobra",
para legitimar o golpe que se avizinha.

sábado, 19 de março de 2016

19 de março – dia de São José

São José foi esposo de Nossa Senhora e pai adotivo de Jesus. Conta a tradição que, quando sua noiva apareceu grávida, ele teve dúvidas se a desposaria, pois não se relacionavam sexualmente. No entanto, a gravidez era fruto de uma concepção milagrosa, por obra e graça do Espírito Santo.  “O anjo do Senhor anunciou a Maria e o verbo divino se encarnou”. Diante de suas dúvidas, Deus demonstrou a São José que deveria crer no milagre e casar-se com Maria. Por isso, fez brotar em seu cajado, lírios brancos. Assim, São José é frequentemente retratado com o Menino Jesus nos braços e portando seu cajado enfeitado com lírios.
Por ter sido carpinteiro, muitas vezes é chamado de São José Operário e invocado como patrono dos trabalhadores. É também o protetor das famílias.
No meio rural, na maior parte do Brasil, especialmente no Nordeste, esperam-se por chuvas no dia de São José. A tradição afirma que se chover nesse dia, será um ano de boas colheitas.
Para compor meus estandartes, utilizo imagens em tecido que mando imprimir a partir de fotos, geralmente encontradas na internet. Dentre as dezenas de estandartes que já criei, o de São José possui a mais bonita imagem que consegui obter. Assim, precisei trabalhar pouco para compor uma peça que considero bonita. Utilizei elementos rústicos como o tecido de fundo. Acrescentei adornos prateados e uma bela faixa em crochê confeccionada por minha irmã que se encontra com a saúde muito debilitada.
Acrescentei pequenos pontos de luz em forma de estrelas com strass e apliquei um lírio  recortado de tecido rústico.  Como em boa parte de outros estandartes, fiz o acabamento com fitas nas cores que harmonizam com a imagem do santo.