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Passadiço da Glória - Foto de Dayze Magalhães |
Há muito tempo vinha desejando conhecer a região do Vale
do Jequitinhonha em Minas Gerais. Nestas férias de julho, consegui, enfim, passar
seis dias na região de Diamantina que se situa nos vales do Mucuri e
Jequitinhonha. A cidade, como eu já imaginava, é linda e charmosa: um conjunto
arquitetônico com predominância do estilo barroco, bastante bem preservado, que
conta parte da história do Brasil, especialmente do ciclo do ouro. É considerada
patrimônio histórico da humanidade, sendo formada por casarios, ruas e becos
íngremes com calçamento em pedras achatadas de formato irregular. Originalmente
chamado de Arraial do Tejuco (barro preto), em 1831, a povoação transformou-se
em cidade com o nome atual devido à fartura de diamantes encontrados na região.
Diamantina possui um artesanato rico e variado composto por objetos de
cerâmica, bordados e arranjos com flores secas do cerrado, entre outros. A culinária, muito
saborosa, é um caso à parte. Além dos clássicos frango com quiabo, frango ao
molho pardo e tutu à mineira, o curioso prato feito à base de costelinha de
porco com brotos de samambaia faz a alegria dos visitantes.
Vesperata sob a lua quase cheia |
Arte Miúda: figurino impecável |
Arte Miúda: música e tradição |
Na cidade que é berço do ex-presidente Juscelino,
quem reina absoluta na boca do povo (dos comerciantes principalmente), dando
nome a produtos variados desde pratos da culinária típica regional a sabonetes,
é a ex-escrava Chica da Silva que, ao tornar-se amante do comerciante mais
poderoso da região, parece ter-se transformado numa quase rainha, que fazia
questão de ser tratada por alteza e tornou-se uma déspota debochada e cruel.
A cidade possui construções curiosas como o
passadiço da Glória, um “túnel” suspenso construído no século XVII para
interligar duas casas que abrigavam um convento, cujas religiosas viviam em
clausura e não podiam se expor ao público, e precisavam dessa proteção ao se movimentar de uma construção
à outra.
Cachoeira da Sentinela |
Além de seu inegável valor histórico e
arquitetônico, a região possui diversas atrações naturais, sendo sede do Parque
Estadual do Biribiri, inserido na Serra do Espinhaço.
Piscina natural na cachoeira dos Cristais |
A reserva possui diversas
nascentes e abriga vários riachos e rios com leitos de pedras, que formam
lindas cachoeiras. Conta com outros atrativos, como formações rochosas com picos elevados e curiosas grutas. As cachoeiras da Sentinela e dos
Cristais possuem beleza singular com suas águas límpidas, cujos tons variam do
azul ao verde.
Povoado de Biribiri: Sossego, beleza e boa comida |
A vegetação predominante é típica do cerrado, dos campos rupestres e das matas de galeria. Com o solo coberto, em grande parte, por variadas espécies de sempre-vivas, há também elevada presença de arbustos que adquirem o formato retorcido, como por exemplo, a candeia, a orelha de negro ou timbaúva e o barbatimão, além dos pequizeiros, muito lindos.
Beleza exuberante no casqueiro da árvore timbaúva |
Diamantina faz parte do circuito turístico Estrada
Real, antiga trilha construída na época do auge da mineração no estado, e que
servia de via de transporte do ouro e do diamante, entre outros metais
preciosos, até a cidade de Parati, no litoral do Rio de Janeiro. Tropeiros transitavam
por ela levando também mantimentos e outras mercadorias para comercialização.
Localizado dentro da região do Parque, o distrito de
Biribiri mantém praticamente intacto o conjunto de edificações originais,
inclusive a fábrica de tecidos que deu origem ao povoado. Hoje é um dos lugres
mais visitados do entorno da cidade de Diamantina, atraindo turistas à procura
não somente de beleza, mas também do sossego que predomina no lugar e da boa
culinária oferecida pelos restaurantes lá instalados; eles oferecem, entre outras iguarias, o famoso
frango caipira com ora pro nobis
(lobrobô) e uma boa variedade de cervejas artesanais que fizeram a alegria da
minha animada e divertida companheira de viagem.
Estandarte de Marcelo Brant, artista local |
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